O segmento de calçados esportivos demonstra ter um grande potencial de crescimento nas vendas e o e-commerce se torna um importante aliado das empresas para a consolidação dos negócios. Se por um lado as ferramentas digitais favorecem o acesso dos usuários aos lançamentos das marcas, por outro, sem o contato físico com os produtos antes deles chegarem ao endereço do comprador, aumenta também a importância de se buscar esclarecimentos acerca dos calçados mais adequados para os atletas de todos os níveis, para que o equipamento ao ser usado promova conforto, proteção e performance durante a prática esportiva.

 

De acordo com o Relatório Setores do E-commerce, produzido pela Conversion e divulgado no último mês de agosto, as visitas aos sites e aplicativos de lojas esportivas em julho deste ano somaram 91,6 milhões de acessos. Vale ressaltar que estes canais costumam ter mais buscas nos meses com datas comemorativas, mas não foi este o caso. Mesmo após dois meses consecutivos com datas importantes para o varejo brasileiro (Dia das Mães/maio e Dia dos Namorados/junho), o primeiro mês do segundo semestre foi ainda melhor, subindo as visitas online em 5,9% num comparativo com o mês anterior, um patamar que não era atingido desde novembro de 2021, mês das promoções de Black Friday, durante o qual as buscas em sites e aplicativos tendem a aumentar consideravelmente. As visitas aos apps de lojas esportivas representaram 14,2% do tráfego geral do comércio online. Neste mercado, a Netshoes é o principal canal de venda somando 66% do tráfego.

 

Em âmbito mundial se prevê um crescimento exponencial no faturamento da indústria de tênis, que até 2025 deve dobrar de tamanho em relação a 2016, com as vendas passando de US$ 55 bilhões para US$ 95,14 bilhões. A indústria global de calçados esportivos é liderada pela Nike e a Adidas, que representam cerca de 50% do faturamento do setor.

 

Durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, as organizações em geral precisaram acelerar suas estratégias de e-commerce, o que encurtou o caminho para a venda ao consumidor. Segundo pesquisa da consultoria ReAnIn, a Nike, que em 2021 foi responsável por 21% das vendas de todo o segmento de artigos esportivos, aumentou em 40% as vendas totais desses materiais. As projeções da marca são de que 60% das vendas até 2025 sejam realizadas diretamente para os usuários e, que desse montante, 40% sejam online.

 

Já a concorrente Adidas, que em 2021 teve 38% das suas vendas feitas diretamente ao consumidor, deve crescer para 50% neste formato. Vale ressaltar que, no ano passado, os tênis de corrida tiveram mais de 33% de participação no mercado de calçados esportivos.

 

Tema foi debatido em Happy Hour

 

No último mês de maio, o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC) realizou o seu tradicional Happy Hour com Tecnologia tendo como tema calçados para corrida. A intensão com o debate A importância dos calçados adequados para atletas de todos os níveis foi trazer esclarecimentos sobre a necessidade do uso de um calçado adequado para cada tipo de corrida e de corredor.

 

A jornalista e fotógrafa Fernanda Paradizo, com mais de vinte anos de experiência em acompanhar o esporte pelo mundo, tanto para registrar os eventos quanto para participar das competições, foi convidada, juntamente com o coordenador de Laboratório do Grupo Dass, Wagner Rosa de Oliveira, para o debate. O coordenador do Laboratório de Ensaios em Biomecânica do IBTeC, Me. Eduardo Wüst, foi o mediador.

 

Eduardo falou sobre o aumento do número de pessoas que aderem à modalidade corrida como esporte – profissionais ou amadores – e lembrou que o calçado para corrida traz consigo um histórico de pesquisas sobre materiais e tecnologias que possam atender às necessidades específicas de cada consumidor, como é o caso dos corredores. Ele também comentou que, independente do nível do atleta, o uso de um calçado não adequado pode trazer prejuízos para a sua estrutura física.

 

Wagner disse que o fabricante precisa avaliar se o calçado que ele entrega gera o resultado esperado pelo corredor, seja ele um atleta de ponta ou um corredor não profissional, pois ambos necessitam de calçados confortáveis e que protejam os pés.

 

Fernanda Paradizo contou como foi sua evolução como jornalista e atleta no universo das corridas. Após a contextualização, relacionou o conforto e a leveza como os principais atributos para um calçado destinado a praticantes do esporte. Ela foi convidada pela redação para falar um pouco mais dessa relação pessoal com o calçado de corrida.

 

O ponto de vista de quem pratica e escreve sobre o assunto

A Jornalista e fotógrafa Fernanda Paradizo tem mais de vinte anos de experiência em acompanhar o esporte pelo mundo, tanto para registrar os eventos esportivos quanto para participar das competições. Corredora desde 1993, desde 2008 atua como colaboradora junto à revista Contra-Relógio e à Kamel Turismo, além de fazer vários trabalhos para marcas esportivas.

 

T – Qual é a modalidade de corrida que você pratica?

F – Já corri algumas maratonas (corridas de longo percurso – cerca de 42 km), mas hoje dou preferência para a distância da meia maratona (corridas com percurso de 21 km), que acho menos desgastantes e dá para conciliar muito bem os treinos com o trabalho. Quando treino específicamente para uma prova-alvo, não deixo de fazer os treinos de qualidade como o Fartlek que funciona de modo livre e pessoal, visando a impactar o desempenho do atleta (intervalados, fracionados, ritmo). Quando não tenho algum objetivo pela frente, costumo apenas fazer rodagens não muito longas, de no máximo 10 km, cerca de 4 ou 5 vezes na semana.

 

T – Em que tipo de piso você costuma correr quando compete?

F – Costumo variar os terrenos. Faço as rodagens mais leves em terra batida e/ ou cascalho. Os treinos de qualidade faço em geral em pista de atletismo. Os treinos mais longos faço em asfalto. Quando não estou visando a nenhuma prova, faço treinos mais em asfalto e até esteira.

 

T – Você tem um tênis preferido para correr?

F – Tenho uma marca preferida (que é o Asics) e não necessariamente um modelo específico. Ultimamente tenho treinando com o Gel-Nimbus 24 lite, da Asics, e às vezes com o Corre 2, da Olympikus. Nos treinos mais rápidos procuro usar um calçado mais baixo, como o Asics Metaracer, ou um New Balance 1500. São modelos mais antigos, mas que gosto bastante.

 

T Você usa o mesmo tênis tanto para treino quanto para competições?

F – No caso de tênis que acredito que não durem muito, prefiro guardar e usá-los mais em competições. Mas em geral, uso estes tênis nos treinos mais específicos, quando estou mais perto da prova-alvo.

 

T – Na sua avaliação, para a prática de corridas, quais seriam os principais atributos para um calçado?

F – Conforto – quando calço um par de tênis já sei de cara se vou gostar ou não. Alguns modelos e marcas encaixam como uma luva. Prefiro tênis mais justos no pé, e que tenham a parte da frente em tecido mais mole e não muito rígido.

– Flexibilidade – tenho que conseguir dobrar o tênis na mão.

– Custo-benefício – tenho um teto que estou disposta a gastar com tênis. Não gosto de gastar muito. Como viajo bastante para o exterior, prefiro comprar um modelo antigo, que sei que me adapto bem, a gastar dinheiro com modelos mais novos, que são mais caros.

 

T Existe alguma propriedade que você gostaria de ver incorporada ao calçado de corridas, mas que ainda não foi lançada, ou que existe, mas você gostaria que fosse ainda mais aprimorada?

F – Acho que as marcas perderam um pouco “a mão” no tamanho… a fôrma varia muito de marca para marca e muitas vezes de modelo para modelo. Hoje em dia não sei mais o número que calço… pode ser um 8,5 de uma marca X, e um 9 de uma marca Y. Às vezes nem um nem outro. Passei a me guiar muito pelos centímetros, mas hoje em dia nem isso está ajudando.

 

T – Quais são, na sua avaliação, as principais evoluções pelas quais os calçados de corrida passaram nos últimos tempos e de que forma cada uma delas contribuiu para melhorar o rendimento dos atletas?

F – Acho que em termos de performance em corrida de fundo a única coisa que consigo de fato citar são os tênis com placa de carbono (segundo marcas esportivas, placas de fibra de carbono aplicadas nas solas dos calçados conferem propriedades como estabilidade, suaviza a transição nas passadas, aumenta a rigidez na parte dianteira dos pés, ajuda na propulsão e reduz a carga na articulação do tornozelo).

 

T Como você avalia a questão da fidelidade da marca em calçados espor tivos?

F – Não acho que existe fidelidade a alguma marca, mas que os atletas procuram usar aquilo que está em evidência no momento, como o tênis Nike AlphaFly do recordista mundial de maratona Eliud Kipchoge, por exemplo. Também entendo que lançar constantemente evoluções dos modelos acaba mantendo uma certa fidelidade.

 

Percepções de mercado

 

Quem também falou com a re portagem foi a supervisora comercial de Adesivos Kisafix, tecnóloga em Processos Gerenciais, Raquel Becker. Ela iniciou a sua carreira profissional no mundo da química atuando na formulação de resinas e adesivos. Com a experiência de quem há 25 anos acompanha o mercado calçadista, teve a incursão mais dedicada ao segmento esportivo a partir da década de 2000, quando passou a formular e criar adesivos e promotores de adesão para colagens de calçados montados e vulcanizados.

 

Já em 2015, o foco voltou-se para a área comercial de adesivos para calçados, um setor que exige da profissional amplo conhecimento técnico. Tendo o mercado esportivo no seu radar, acompanha todos os dias a evolução dos materiais, que cada vez mais permitem novas possibilidades para melhorar o conforto e a performance.

 

Entendendo que as pessoas hoje buscam por uma vida mais saudável, e com o surgimento de uma geração que prioriza o estilo de vida minimalista, somando ainda uma parcela importante da população que necessita de calçados mais modernos para suas necessidades (como a terceira idade que aderiu ao tênis pelo que entrega), Raquel destaca que os calçados esportivos obtiveram ainda mais visibilidade e ganharam preferência pela população. “Está relacionado com qualidade de vida e facilidade de usar um calçado confortável tanto para a prática de esportes quanto para o uso diário. Além disso, o trabalho de divulgação das grandes marcas com esportistas apreciados no mundo todo alavancou o crescimento do setor entre profissionais e para usos de rotina”, considera a profissional.

 

Apaixonados por esportes

 

Ela lembra que os brasileiros são apaixonados por esportes, e esse é um fator que torna natural o consumo de calçados esportivos entre a nossa população. A paixão nacional evidentemente é o futebol, mas viemos de vários eventos e de conquistas de profissionais de alta performance que alavancaram e seguem alavancando o gosto por esportes no Brasil. Airton Senna (Fórmula 1), Gustavo Kuerten (Tênis), Isaquias Queiroz (Canoagem), Rayssa Leal (Skate), Oscar e Hortência (Basquete), as seleções brasileiras de vôlei, entre tantos esportes que praticamos no Brasil e que temos representantes reconhecidos mundialmente, são, na opinião de Raquel, exemplos de “embaixadores nacionais” que incentivam a busca pela prática de esportes.

 

Outros fatores que contribuíram muito para o gosto pelos esportes no Brasil – e consequentemente por essa filosofia de vida – foram a Copa do Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016) realizadas no País. “O mercado consumidor está disposto a consumir benefícios a um preço adequado para cada finalidade de uso, então o desafio é mostrar onde eles estão presentes em seus produtos para se tornarem calçados desejados”, considera Raquel, apontando a importância de alguns fatores-chave para despertar o desejo de compra no consumidor, como posicionamento de marca, design moderno e atrativo, conforto, sustentabilidade e propósito.

 
 

Tecnologias

 

Ao lembrar tecnologias que impactaram profundamente a forma de se pensar e produzir um calçado esportivo, como as solas de borracha que, em 1832, possibilitaram a aderência do calçado e, em 1870, o impulso; o surgimento dos cadarços na década de 1860; em 1940, o uso da lona impermeável, que deixou os calçados mais leves e confortáveis; os laminados em EVA já na década de 1970, que tornaram os calçados ainda mais leves, e já nos anos 2000, a fibra de carbono, que ampliou a leveza e possibilitou a passada mais rápida, Raquel destaca a grande variedade de materiais disponíveis no mercado com objetivo de entrega de um calçado leve, confortável e que auxilie na performance profissional. “Cada empresa faz a composição com os materiais disponíveis e cria então calçados inovadores, com design atrativo e que ainda entregam eficiência ao usuário.

 

DESAFIO – A tendência segue nessa linha de entregar com o calçado todos os benefícios que o consumidor deseja e auxiliar nos objetivos de cada esporte, no caso de atletas profissionais. No caso do consumidor que utiliza o calçado esportivo tanto para prática de esportes quanto para uso diário, a tendência é a necessidade de criação de modelos orientados para estilos de vida o que traz um desafio para as empresas no sentido de atenderem às demandas mais customizadas”, observa Raquel. A Killing participou também nesta edição com a divulgação de um artigo científico sobre Sistema RUN – inovação para o mercado calçadista.

 

Sustentabilidade

A Atena Componentes Têxteis oferece para as indústrias de calçados esportivos uma completa linha de atacadores, fitas e elásticos desenvolvidos com fios 100% reciclados.

Segundo a gerente comercial, Roberta Pellizzer, os materiais têm como foco a sustentabilidade, sendo esta preocupação um grande desafio para o setor. “Os calçados esportivos são os modelos mais consumidos na atualidade, e sua produção gera resíduos em todas as etapas. O reaproveitamento destas sobras é o grande avanço apresentado aos clientes”, analisa Roberta.

 

Ela conta que a Atena lançou, de forma pioneira, uma linha de atacadores, fitas e elásticos produzidos a partir de fios 100% reciclados de garrafa PET, algodão e linho. “Com isso, a indústria calçadista passou a ter à sua disposição os aviamentos que faltavam para completar uma coleção ecologicamente correta, pois até então muitas fábricas estavam trabalhando apenas com solados e tecidos reciclados, não conseguindo deixar seus projetos 100% sustentáveis”, considera a gerente.

 
 

Performance

A Basf lançou o Infinergy, um TPU expandido que proporciona excelente retorno de energia com resiliência, chegando a 70%, enquanto a maioria dos materiais não ultrapassa 50%, segundo Joel Gonçalves, do Marketing da empresa. “Além de também proporcionar conforto e diminuição do impacto sobre joelhos do atleta, o material possui baixa densidade reduzindo o peso do calçado”, explica Joel, complementando que o material proporciona alto desempenho no retorno de energia, fazendo com que o usuário tenha um auxílio em sua corrida. Essa característica do material é conhecida como resiliência, que proporciona maior conforto e diminui as lesões por impacto.

 

Considerado como um dos mais leves encontrados na indústria de entressolas, o material também apresenta durabilidade superior. “Comparado com EVA, a durabilidade chega a ser mais do que o dobro quando submetido a testes de fadiga”, garante o profissional.

 

Dublagem

Referência no desenvolvimento de produtos de dublagens no Brasil, a Raima é especialista em fornecimento de componentes têxteis para as diversas aplicações, com infraestrutura completa para a realização do processo em diferentes técnicas, conforme a necessidade do cliente, mantendo fielmente os padrões, texturas, cores e características dos produtos.

 

Desenvolvendo soluções em malharia, tecelagem, dublagens, coleções exclusivas, artigos técnicos e entre outras, busca preservar o alto padrão de qualidade e sua posição de referência no mercado. “O processo de dublagem consiste na união do tecido com o componente escolhido para que o material se torne uma peça única. Disponível em dife- rentes especificações, a espuma e/ou outro substrato pode ser dublado com vários tipos de materiais, no entanto, é necessário um projeto técnico para fabricação de um material de qualidade”, ressalta o engenheiro Gustavo Stock, salientando que todo o processo de produção e acabamento da malharia da empresa são próprios, consolidando a garantia na padronização de qualidade dos produtos.

 
 

Antivírus e bactericida

A TNS Nano criou um aditivo à base de argilominerais funcionalizados com ação bactericida e antiviral chamado de Neobent, que inibe e impede a permanência de bactérias e vírus, provocando a diminuição dos odores em calçados. O diretor geral da empresa, Gabriel de Freitas Nunes, garante que o produto que promove a sensação de bem-estar e frescor é atóxico, biodegradável, livre de metais e solventes orgânicos, sustentável e não promove a crueldade em animais. “Ao utilizar tecnologias inteligentes da TNS Nano em calçados, o consumidor final tem a certeza de que, além de um produto de qualidade, ainda está colaborando com o meio ambiente”, salienta o dirigente, lembrando que a tecnologia proporciona ao usuário a possibilidade de um menor número de lavagens em roupas e calçados.

 

Para certificação dos resultados, a empresa está em conformidade com as normas internacionais vigentes e fornece maior confiabilidade e segurança aos seus clientes através do selo TNS Nano Protect. O Neobent é aprovado nas normas AATCC 100, ASTM E 2149, ISO 18184 e JIS L 1902 e está de acordo com normativas rígidas como a Nike RSL, Afirm Group e ZDHC.

 

Tecnologia sustentável

A Unifi desenvolveu o Repreve, que oferece uma gama de produtos de alto desempenho feitos de fibras e fios 100% reciclados, rastreáveis e certificados a partir de garrafas plásticas pós-consumo. Comparado à fibra virgem, o material ajuda a minimizar o consumo do petróleo, emite menos gases geradores do efeito estufa e economiza água e energia no processo. O presidente da Unifi do Brasil, Mauro Barreira Fernandes, enfatiza que para oferecer aos clientes o mais alto nível de transparência, a empresa desenvolveu o programa de verificação U Trust com o qual, através de um rastreador, é possível validar as declarações e a composição do conteúdo reciclado.

 

As linhas Repreve são oferecidas no mercado com um conjunto de tecnologias avançadas para proporcionar as propriedades necessárias para os clientes. O Repreve XS, por exemplo, promove conforto, amortecimento e resiliência acentuada; o Repreve Sorbtek absorve e acelera o transporte do suor até três vezes mais rápido que outras fibras; o Re- preve AMY tem proteção antimicrobiana de longa duração, que evita odores; o Repreve ChillSense permite uma sensação de frescor, com um toque gelado em contato com a pele; já o Repreve com proteção UV possibilita aspectos personalizados.

 
 

Reciclagem

A Jomo desenvolveu duas linhas de palmilhas esportivas com pegada sustentável. A primeira linha de palmilhas é feita com EcoBlue, que é composto por mais de 80% de materiais reciclados entre retalhos de tecido da indústria de confecção como algodão, jeans e poliéster e retalhos industriais como o polipropileno reciclado. Segundo a gerente de P&D, Andrea Mohrbach Escudero, a composição melhora muito a resiliência, mantendo a fl exibilidade do material. A segunda palmilha é feita com EcoPET, espuma de PU dublado com tecido PET ou algodão natural e é uma linha 100% reciclável que une conforto com performance. O EcoPET é composto por 50% de garrafas PET recicladas e a outra metade de poliéster virgem. “Desde 2020, as palmilhas são usadas por uma marca conceituada de calçados”, garante a gerente de vendas, Rose Souza, salientando ainda que o faturamento neste segmento é em torno de 20%.

 

Elastômeros e adesivos

 

A FCC destaca duas linhas de produtos – elastômeros e adesivos. Na linha de elastômeros, o destaque é o TPU de alta fluidez 5125 ECO, disponível nas durezas 70 e 90 Shore A, que traz em sua composição até 10% de matéria-prima de fontes renováveis não oriundas da cadeia petroquímica. Conforme o diretor de negócios do setor de Calçados e Artigos Esportivos, Marcelo Garcia, a tecnologia permite a injeção de solas e cabedais com excelente propriedade de cópias do molde, ou seja, é possível ter em uma mesma peça acabamento com alto brilho e fosco. Com alta resistência a rasgo e ruptura, o material pode ser processado em todos os tipos de injetora e apresenta fácil pigmentação, além de ser um produto de economia circular. Proporcionando alta produtividade e fluidez, permite que o cabedal seja desenvolvido em menos etapas e processos, o que facilita a produção e reduz o descarte de materiais.

 

A empresa também desenvolveu, em parceria com fornecedores, o adesivo monocomponente Base Água 4502 de alta performance para atender as necessidades de performance tanto de colagem inicial, quanto de colagem final e resistência à hidrolise.

 

Uma das vantagens é quanto ao tempo de duração do material, que é conforme a data de validade da vida útil, ou seja, no final do turno de trabalho o recipiente do adesivo é fechado e no outro dia pode ser utilizado novamente, reduzido o descarte, além de dispensar a necessidade de preparação dos produtos com o uso de aditivos.

 

“Através de pesquisas e testes, a FCC chegou em uma formulação de produto versátil que permite que sua aplicação pode ser realizada por pincel, esponja e spray. Segundo a empresa, a aplicação de adesivo base água com sistema de aplicação por spray aumenta a produtividade em mais de 50% quando comparado ao tempo de aplicação com sistema de pincel/esponja”, salienta o diretor de negócios do setor de Calçados e Artigos Esportivos, Marcelo Garcia.

 

Sola em impressão 3D

A Adidas lançou o modelo 4DFWD 2 com uma série de novidades. O cabedal é feito a partir de materiais reutilizados, a entressola é em impressão 3D e oferece amortecimento 23% maior que o modelo anterior. O solado em borracha foi projetado para oferecer estabilidade até mesmo quando o usuário pisar em terrenos acidentados. Além disso, a engenharia aplicada na nova treliça impulsiona o pé para frente, transformando a pressão vertical em força horizontal, melhorando o desenho do usuário.

 
 

Grafeno

A marca britânica Inov-8 lançou em 2019 a primeira linha de calçados esportivos com grafeno – material produzido a partir de grafite 200 vezes mais forte que o aço. Os calçados da série G são flexíveis, podendo ser dobrados, torcidos e esticados sem so- frerem dano algum. Segundo a marca, essas solas são 50% mais elásticas e 50% mais resistentes ao desgaste do que a borracha padrão.

 

Nacional

Quem também usou grafeno de forma pioneira foi a marca brasileira Olympikus. Desenvolvida pelo Grupo Vulcabras, a grife investe na percepção de marca competitiva pelos atributos de performance oferecidos. Com a aplicação do material no solado, o impacto da passada é absorvido e transformado em impulsão, proporcionando menor gasto de energia para o corredor e maior resposta ao longo do percurso.

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